Jornalistas são presos ao tentar entrevistar fazendeiro que deu proteção a miliciano ligado a Flávio Bolsonaro
Enquanto se encaminhavam para um endereço que seria ligado ao fazendeiro Leandro Abreu Guimarães – que abrigou o ex-PM Adriano da Nóbrega na Bahia até a morte do miliciano -, o repórter Hugo Marques e o repórter fotográfico Cristiano Mariz, da Veja, foram surpreendidos pela Polícia Militar.
Segundo a Veja, os profissionais apresentaram suas credenciais, mas mesmo assim foram obrigados a sair do carro, tiveram um gravador apreendido e tiveram que seguir a viatura dos oficiais até o distrito policial de Pojuca . “Como é que vocês descobriram esse endereço?”, questionaram os PMs diversas vezes.
Chegando na delegacia, policiais civis também fizeram questionamentos sobre o motivo da presença deles na cidade.
A Veja ainda relatou que um agente identificado como Sérgio Pinheiro disse que a detenção foi uma “medida de segurança”. “Eles estavam parados em frente à residência de uma testemunha desse caso aí”, explicou.
A revista publicou uma longa reportagem com fotos que indicam que a morte de Adriano da Nóbrega, ex-chefe da milícia Escritório do Crime, não teria ocorrido em meio a confronto policial. Legistas analisaram as imagens e concluíram que os ferimentos de bala foram realizados em curta distância, fortalecendo a hipótese de “queima de arquivo”.
“Pode ter sido uma troca de tiros? Pode. Pode ter sido uma execução? Pode. Qual é o mais provável? Com esse disparo tão próximo, o mais provável é que tenha sido uma execução. Mas tem de analisar com mais detalhes”, afirmou Malthus Fonseca Galvão, professor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-diretor do Instituto Médico Legal do Distrito Federal. Ele entende que o disparo aconteceu em uma distância inferior a 40 cm.