Irã na Copa: após empatar com Nova Zelândia, seleção iraniana enfrenta entraves ao deixar os EUA

16 de junho de 2026 21

A seleção do Irã estreou na Copa do Mundo na noite de segunda-feira (15) com um empate e também problemas na imigração dos Estados Unidos.

A equipe iraniana relatou ter recebido uma "ordem imediata" para deixar os EUA após a partida. Depois, agências de notícias do Irã afirmaram que o capitão da seleção, Mehdi Taremi, e um auxiliar da equipe foram retidos no aeroporto de Los Angeles, onde o time jogou.

seleção iraniana empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia na estreia, que ocorreu em meio a tensões geopolíticas por conta da guerra que o país trava com os Estados Unidos no Oriente Médio (leia mais abaixo). Como a Copa do Mundo de 2026 ocorre nos EUA, no México e no Canadá, houve dúvidas sobre a participação do time do Irã, que foi classificado para a competição.

Para contornar a crise, a Fifa transferiu para o México a base da seleção iraniana durante a Copa, que inicialmente ficaria nos EUA.

Após a partida, o técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, afirmou que a equipe recebeu a ordem de saída imediata de autoridades dos EUA. Autoridades de imigração norte-americanas ainda não haviam se manifestado sobre a informação até a última atualização desta reportagem.

Agências de notícias estatais iranianas afirmaram ainda que o centroavante Mehdi Taremi, que é estrela da seleção iraniana, e o membro da comissão técnica Saeid Alhouei foram retidos no aeroporto de Los Angeles quando a equipe retornava para Tijuana, no México, onde está hospedada.

As agências iranianas disseram que os dois enfrentaram "atraso injustificado" nos procedimentos de checagem de passaportes e vistos na imigração do aeroporto. Eles foram liberados após as checagens, e toda a equipe já voltou ao México.

Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia. — Foto: Gary Vasquez /  IMAGN IMAGES via Reuters

Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia. — Foto: Gary Vasquez / IMAGN IMAGES via Reuters

Além da retenção temporária no aeroporto, a equipe iraniana enfrenta também outro entrave. O atacante Mehdi Torabi recebeu um visto do governo norte-americano que permite apenas uma entrada nos Estados Unidos, ao contrário do restante do grupo, que tem visto de múltiplas entradas.

Para a próxima partida, que também ocorrerá nos EUA, a seleção iraniana terá de solicitar às autoridades norte-americanas um novo visto para o atacante. Segundo as agências iranianas, a Federação Iraniana de Futebol já iniciou trâmites legais para tentar emitir uma nova autorização e garantir que o atleta possa acompanhar a equipe nos próximos jogos.

As próximas partidas do Irã ocorrerão nos Estados Unidos: no sábado (21), os iranianos enfrentarão a Bélgica, em Los Angeles. Depois, jogarão contra o Egito em Seattle, em 27 de junho.

Tensões geopolíticas

Trump diz que já assinou acordo de trégua que pode pôr fim à guerra no Irã

Trump diz que já assinou acordo de trégua que pode pôr fim à guerra no Irã

A estreia do Irã da Copa ocorreu no mesmo dia em que Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio. Os dois países haviam anunciado o acordo no fim de semana, após mais de três meses de conflito, que começou quando EUA e Israel fizeram ataques conjuntos ao território iraniano em 28 de fevereiro.

O Irã respondeu com uma série de ataques a países do Golfo Pérsico aliados dos EUA ou que sediam bases militares norte-americanas. Outra frente de guerra foi aberta no Líbano, após o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado pelo Irã, lançar ataques ao vizinho Israel em retaliação.

O Exército israelense vem bombardeando o território libanês desde então e enviou tropas ao sul do Líbano.

O acordo firmado entre as partes prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o canal controlado pelo Irã e por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. Os EUA também retirarão navios de sua Marinha que fazem um bloqueio naval na entrada do estreito, interpelando navios que comercializam nos portos iranianos locais.

texto também estipula um cessar-fogo que está previsto para durar enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O acordo, segundo Teerã, prevê que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias.

 

Equipe 'mais oprimida' da Copa

Antes da estreia do Irã, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, já havia reclamado da logística de viajar logo após a partida e afirmou que sua equipe estava sendo “oprimida”.

Ghalenoei, de 62 anos, disse que eles passaram por mais contratempos, já que o time esperava passar a noite de segunda-feira em Los Angeles, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México. Ele não disse quem impôs a restrição.

“Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo", disse.

Procurados pela agência de notícias Reuters para comentar as declarações, o Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Ainda no estádio, o atacante iraniano Mehdi Taremi disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio:

“Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso. É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz".

Permanência vetada

Os EUA já haviam comunicado que a seleção não poderia se manter no país durante toda a Copa. De acordo com o embaixador iraniano no México, o visto concedido aos 26 jogadores permite apenas a entrada temporária nos Estados Unidos para treinamentos e partidas.

A delegação chegou no dia 7 de junho a Tijuana, no México, onde ficará concentrada durante a primeira fase da competição.

Inicialmente, a equipe planejava se hospedar em Tucson, no Arizona. No entanto, a guerra alterou toda a logística da seleção.

No dia 9 de junho, dois dias antes do começo da Copa, a Federação de Futebol do Irã (FFIRI) anunciou que sua cota de ingressos para a competição foi retirada pelos Estados Unidos. A decisão deixou os

Torcedores iranianos comemorar o empate contra a Nova Zelândia. — Foto: Matthew Childs / Reuters

Torcedores iranianos comemorar o empate contra a Nova Zelândia. — Foto: Matthew Childs / Reuters

torcedores que já haviam feito planos de viagem impossibilitados de assistir às partidas da seleção iraniana.

 

Fonte: G1