Houthis ameaçam ampliar ataques à Arábia Saudita após mortes em aeroportos
Os rebeldes houthis do Iêmen ameaçaram realizar novos ataques contra a Arábia Saudita após uma sequência de ofensivas que atingiram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, durante o fim de semana. Os episódios deixaram ao menos 14 mortos e 320 feridos, segundo os balanços divulgados pelas autoridades sauditas.
O grupo, apoiado pelo Irã, afirmou que aeroportos e o espaço aéreo saudita poderão continuar sendo alvos de suas operações militares. A ameaça foi acompanhada de um alerta para que companhias aéreas, trabalhadores e passageiros evitem utilizar as instalações aeroportuárias do país.
A escalada ocorre em meio à intensificação dos confrontos entre os houthis e as forças do governo iemenita, apoiadas militarmente pela Arábia Saudita.
Houthis alertam para novos ataques
Em comunicado divulgado no domingo (11), o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, pediu que empresas de aviação e viajantes deixem de utilizar aeroportos sauditas.
O grupo afirmou considerar essas instalações parte do cenário de operações militares e alertou para a possibilidade de novas ofensivas.
Os aeroportos localizados em Meca e Medina, cidades sagradas para os muçulmanos, foram excluídos do aviso.
O Ministério das Relações Exteriores administrado pelos houthis também ameaçou intensificar sua resposta caso a Arábia Saudita mantenha as operações militares em território iemenita.
Segundo o grupo, a continuidade dos bombardeios sauditas poderá provocar ações de maior intensidade.
As declarações ampliaram a preocupação com a segurança da aviação civil na região.
Ataques ao aeroporto de Riad deixam mortos e feridos
A principal ofensiva ocorreu no sábado (10), quando o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, foi atingido por um ataque que deixou inicialmente 12 mortos e 309 feridos.
Posteriormente, a embaixada da Índia confirmou a morte de um cidadão indiano que estava hospitalizado em decorrência dos ferimentos, elevando para 13 o número de vítimas fatais daquele episódio.
No domingo (11), um novo ataque atingiu a região do Terminal 4 do aeroporto e provocou um incêndio.
Segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita, um cidadão paquistanês morreu e outras 11 pessoas ficaram feridas.
Somados, os dois episódios deixaram ao menos 14 mortos e 320 feridos.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita também informou ter interceptado um míssil de cruzeiro nas proximidades do aeroporto.
Aeroporto de Riad permanece fechado
As operações do Aeroporto Internacional Rei Khalid foram suspensas após os ataques e continuavam interrompidas nesta segunda-feira (12).
A autoridade de aviação civil saudita informou que o fechamento foi prorrogado para permitir inspeções de segurança e avaliações das condições operacionais das instalações.
Até a divulgação do comunicado, não havia previsão oficial para a retomada dos voos.
Companhias aéreas internacionais cancelaram ou redirecionaram viagens com destino à capital saudita, enquanto passageiros aguardavam orientações sobre seus deslocamentos.
As autoridades também adotaram medidas preventivas em Riad, incluindo a transferência de atividades escolares para o ensino remoto.
Rebeldes reivindicam ataques a outras instalações
Além das ofensivas contra o aeroporto de Riad, os houthis anunciaram operações contra outras instalações estratégicas sauditas.
Entre os alvos mencionados pelo grupo estão o aeroporto de Dammam, no leste do país, e estruturas ligadas à Saudi Aramco, companhia estatal de petróleo.
As declarações dos rebeldes não significam, necessariamente, que todos os danos alegados tenham sido confirmados de maneira independente.
A ampliação das ameaças contra aeroportos e instalações energéticas aumenta a preocupação com a segurança do transporte aéreo e do abastecimento de petróleo na região.
O governo saudita prometeu responder às ofensivas e responsabilizar os envolvidos.
Arábia Saudita afirma que infraestrutura está sob pressão
Nesta segunda-feira, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, reconheceu que os ataques estão colocando à prova a capacidade de resistência das estruturas estratégicas do país.
Durante uma conferência sobre energia em Riad, ele afirmou que a situação exige atenção à segurança das instalações e à continuidade dos serviços essenciais.
O governo saudita mantém operações militares em apoio às forças do governo iemenita internacionalmente reconhecido, que disputam territórios com os houthis.
O confronto entre as partes se intensificou nos últimos meses, especialmente após avanços territoriais dos rebeldes em regiões próximas ao Mar Vermelho.
Estados Unidos avaliam resposta militar
A escalada também provocou reações internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo avalia a possibilidade de participar de ações militares contra os houthis em apoio à Arábia Saudita.
Até esta segunda-feira, não havia anúncio de uma decisão definitiva sobre o envolvimento direto das forças americanas.
Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques ao aeroporto de Riad e exigindo a interrupção imediata das ofensivas.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também condenou ataques contra civis e instalações civis.
O aumento das hostilidades ocorre em um momento de instabilidade no Oriente Médio e ameaça comprometer ainda mais os esforços diplomáticos para reduzir a violência na região.
A situação também preocupa o setor marítimo, especialmente diante da importância do estreito de Bab el-Mandeb para o transporte internacional de mercadorias e petróleo.
Enquanto as autoridades sauditas avaliam os danos e reforçam a segurança das instalações, a ameaça de novas ofensivas mantém o país em estado de alerta.
Da IstoÉ