HÁ DE TUDO…COMO NA BOTICA
Ao ouvir, na TVI, o caso das crianças adotadas por dirigentes da IURD, lembrei-me de pobre-diabo, que conheci no Café “ Chave D’ouro”, no Porto.
Certa tarde – já lá vão décadas, – achei-me a conversar com evangelista, que se intitulava: pastor.
Animado pela conversa, começou a contar-me um pouco da sua vida. Era operário da construção civil. Mais por brincadeira, do que por convicção – pois até era de esquerda, – inscreveu-se na “Legião”.
“ Diziam que era bom, e obtinha-se vantagens…” rapidamente verificou que, dessa atitude, nada ganharia… “ ainda se fosse funcionário publico! …Talvez….”
Passou a frequentar o culto numa Igreja Evangélica, e como verificasse que havia membros que recebiam “ regalos”, logo tentou ocupar lugar visível.
Conseguiu ser leitor. “ Pouco ou nada obti, mas ganhei experiência, e conheci gente, que me foi útil…“
Depois… passou para nova Igreja, de denominação diferente, até que teve a felicidade de ser escolhido para ir a congresso, que se realizou em Londres. “ Pagavam as viagens e deram-me estadia, em casa de irmão…”
Quando regressou, teve conhecimento, que havia padeiro, que fora convidado para pastor, com o vencimento de seis mil escudos! …
Tentou ser sacerdote, mas, por escassearem-lhe dons oratórios, e sofrer de fobia, ao falar diante de grande assembleia, não foi aceite.
Assentou, então, criar a “ sua Igreja”. Alugou garagem, e convenceu alguns membros a acompanha-lo. “ É grupinho pequeno, mas temos ranchinho de catraios. Recebo, de Londres, folhetos e livrinhos, e dou-lhos. Ficam tão contentes! …”
Andava, então, a oferecer, a várias Igrejas, os seus serviços, na esperança que alguma aceitasse o “ grupinho”, em troca de salário, que servisse para aumentar a renda! …
Nunca soube se chegou a conseguir a almejada renda.
***
Estando em Roma, instalado em aposentos de Faculdade, da Católica, conheci frade franciscano, transmontano, que me contou: indo de férias, a Portugal, fora contactado para pastor de seita, oferecendo-lhe bom vencimento. Dinheiro que vinha da América. Não aceitou, porque estava na Ordem, por convicção.
Também, nessa ocasião, conheci, na via Merulana, pobre monge, de hábito remendado e puído, que me foi apresentado como verdadeiro discípulo de S. Francisco.
Dizia-me o “ fratello”, à puridade, que o apresentou: “ Esse sim, é um santo! …Bom era que todos nós fossemos como ele! …”
Devo esclarecer, em abono da verdade, que há, em todas as Igrejas, mesmo nas seitas, gente boa e santa.
Conheço pastor, licenciado, que recusou remuneração da Igreja, porque consegue viver com o que usufrui de seu emprego. E não é caso único…
Há de tudo – costuma-se dizer, – como na botica. Quem vê caras, não vê corações…Só Deus conhece o que pensa o coração de cada um.
Na religião, na política e também no desporto, como as portas estão abertas, entra toda a espécie de pessoa; por mais escolhas que se faça, há sempre “joio”, na rede.
Dizia minha prima Rosinha, quando falavam da má conduta de sacerdotes:” Para mim, o que interessa, é o que fazem no altar! O resto, é com eles!”
E tinha razão…Já Jeremias avisava: que o Senhor aconselhava a não confiar nos homens – Jr.17:5
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