Guerra santa, farras, corrupção, STF: o que movimentou o 1º turno e o que vem por aí

3 de outubro de 2026 20

O primeiro turno das eleições foi sacudido por polêmicas inusitadas que provocaram disputas acirradas entre as  duas candidaturas mais bem posicionadas nas pesquisas de intenção de voto, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição, e a do senador Flávio Bolsonaro. Uma falsa polêmica sobre manter ou cassar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida turbinou a reta final da campanha antes do primeiro turno, marcado para este domingo. Mas houve outras marcas, tão ou mais barulhentas.

Da igreja para temas menos ortodoxos, Lula e Flávio também tiveram de lidar com suspeitas de corrupção em seu entorno e, no caso do senador, com mensagens reveladas em uma reportagem do PlatôBR que mostraram farras bancadas com dinheiro de origem suspeita e o recebimento de presentes caros de amigos lobistas que, com sua ajuda, atuaram no governo de Jair Bolsonaro e até junto ao ministro do STF Kassio Nunes Marques, também presidente do TSE.

No front ético, precisou dar explicações especialmente sobre as suspeitas de tráfico de influência envolvendo a relação do seu primogênito com a lobista Roberta Luchsinger, hoje chamada pelo petista de “Vorcaro feminino”. A pauta policial acabou por atrapalhar os planos do petista de explorar a pauta da soberania, como contraponto às ligações do clã Bolsonaro com o governo Trump e, em especial, com secretário de Estado americano, Marco Rubio.

A se confirmarem as pesquisas, que apontam para uma decisão da corrida presidencial em segundo turno, os candidatos do PT e do PL seguirão apostando em temas com grande capacidade de mobilização. Lula quer voltar a explorar também o fim da jornada 6×1. Para isso, conseguiu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcasse para a próxima semana, logo após o resultado do primeiro turno, a tramitação da proposta.

Além disso, Lula seguirá explorando temas como a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica e as iniciativas recém-adotadas pelo governo para tentar garantir votos, como a nova versão do Desenrola, para renegociação de dívidas, a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS e o fim das bets. Flávio continuará com críticas à crise inédita no STF e investindo em uma agenda mais liberal, defendendo corte de gastos, redução de impostos, privatizações e novos parâmetros para o teto de gastos do governo.

Fonte: Luciana Lima