Guerra no STF: Lula diz esperar solução de Fachin e de Gonet, citado em relatório

4 de setembro de 2026 25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu gravar o pronunciamento se posicionando sobre a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) somente depois de ouvir o decano e o presidente da corte, Gilmar Mendes e Edson Fachin, respectivamente. Segundo pessoas do entorno do presidente, ele já tinha a intenção de usar o mesmo pensamento que expressou em relação ao seu filho, Fabio Luís Lula da Silva, para se referir às suspeitas que pesam sobre Moraes, mas não queria falar sem ter informações precisas sobre o contexto interno do STF.

“Ele já vinha construindo esse pronunciamento, mas também havia dito que não falaria nada sem antes conversar com ministros do Supremo para ter mais informações. Ontem (quarta-feira, 3), ele achou que estava na hora e foi preparado o pronunciamento”, disse ao PlatôBR uma fonte diretamente envolvida com a construção da manifestação do presidente. “Ele não fala como candidato, mas como presidente”, acrescentou.

Até então, Lula se mantinha em silêncio sobre o tema. A orientação inicial no Planalto era essa, inclusive para ministros. O pronunciamento se deu em meio à expectativa geral de que a crise no Supremo possa ter reflexos sobre a corrida presidencial e, em alguma medida, afetar o desempenho do próprio petista. No vídeo, mesmo defendendo que as investigações sigam adiante “doa a quem doer”, e sem nem sequer citar Alexandre de Moraes nominalmente, Lula vocaliza uma queixa que seu entorno e sua base aliada no Congresso vinham repetindo: a de que os vazamentos que originaram a crise seriam “seletivos”, uma estocada indireta em André Mendonça.

Em outra passagem do pronunciamento, Lula disse esperar que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o próprio Edson Fachin liderem o processo e garantam a “integridade das investigações”. Gonet, vale dizer, é citado no relatório que André Mendonça tornou público entre as autoridades que seriam próximas a Vorcaro — nesta quinta, por sinal, ele também foi instado por Fachin a se explicar, no mesmo despacho em que o presidente do Supremo deu prazo para Moraes e Mendonça se manifestarem. O gesto público de Lula reflete um desejo que o Planalto vem sinalizando há dias: o de que Fachin avoque para si a condução das apurações.

“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem com um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, disse Lula, acrescentando que autoridades devem colocar o compromisso público à frente de interesses pessoais.

Ele também defendeu ajustes no atual modelo institucional brasileiro, sem dar detalhes. “A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, afirmou, sem o chapéu que tem usado em praticamente todas as suas aparições públicas.

Aliados do presidente têm buscado mapear as divisões internas no STF e, em meio ao racha entre ministros mais alinhados a Mendonça e outros a Moraes, ainda estão em dúvida quanto ao posicionamento de Cármen Lúcia e de Luiz Fux

Fonte: Luciana Lima