Flávio desistiu de vencer Lula ao não abrir todo jogo sobre Vorcaro
O “iche”, atrás de “iche”, em que se transformou a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro deixou a direita sem rumo. Com Jair Bolsonaro preso, acamado e silenciado, Flávio havia reunido ao seu redor o grupo político do pai, mas perdeu a confiança dos aliados à medida que sua relação com o banqueiro passou a ser exposta em doses homeopáticas.
O discurso do filho, de que queria ajudar a contar a história do pai nos cinemas, não convenceu nem bolsonaristas com mandato dos mais fiéis. O sentimento é de incerteza sobre o que ainda pode surgir, já que Flávio omitiu de seus aliados o que fatalmente seria descoberto pela Polícia Federal: seus telefonemas e encontros com Vorcaro.
A coluna conversou com integrantes da direita radical, que resumem assim o cenário:
— Quem embarcou de cabeça no projeto está decepcionado. E sem saber o que ainda vem pela frente.
Desistir da candidatura está fora do radar. Do que Flávio teria desistido, na avaliação desses aliados, é da possibilidade de derrotar Lula.
A leitura entre integrantes da direita é a de que a família Bolsonaro não está preocupada propriamente com a eleição, mas em manter a liderança do campo conservador e impedir que alguém de fora do círculo familiar cresça a ponto de ocupar esse espaço.
Nesse sentido, fazem um paralelo com o lulismo. “Quem tentou crescer foi rapidamente podado. O único líder que admitem é Lula. Se ele tivesse filhos na política, o cenário seria semelhante ao dos Bolsonaros.”