Filha de Marielle: “Crimes políticos não podem ser relativizados”

23 de fevereiro de 2026 21

A família de Marielle Franco acompanhará, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da ação penal contra os cinco réus acusados de mandar matar a vereadora e Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.

Antes da análise do processo pelos ministros do colegiado, a filha de Marielle, Luyara Franco, conversou com a coluna e falou sobre sua expectativa em relação à resposta para a pergunta: “Quem mandou matar Marielle?”

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Luyara, que também é diretora-executiva do Instituto Marielle, ressaltou a importância histórica do julgamento: “É fundamental que esse processo demonstre que crimes políticos não podem ser relativizados“.

Para ela, o fato de os acusados serem agentes públicos que já ocuparam cargos importantes representa um avanço institucional: “A responsabilização pode alcançar camadas historicamente protegidas”.

“No Brasil, é comum que mandantes políticos permaneçam intocados. Esse caso abre precedente para continuar conversando sobre os limites do poder e o custo que é atentar sobre a democracia. Não estamos falando só da minha mãe, mas da qualidade da nossa democracia, da Justiça da nossa democracia”, ressaltou.

Questionada especificamente sobre o delegado Rivaldo, que era o responsável pelo caso no Rio de Janeiro e se tornou amigo da família, Luyara afirmou: “O fato de uma autoridade, com posição estratégica, estar no banco dos réus significa que o caso sempre exigiu essa investigação mais profunda, independente, reafirmando que a sociedade tinha razão ao exigir respostas que fossem além do superficial”.

O julgamento

A Primeira Turma julga a ação penal contra cinco réus acusados de mandar matar Marielle Franco e Anderson Gomes. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi recebida pelo colegiado em junho de 2024. São réus:

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
  • Francisco (Chiquinho) Brazão, ex-deputado federal;
  • Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial;
  • Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, ex-assessor de Domingos no TCE-RJ.

Eles respondem por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que estava no mesmo carro que Marielle e Anderson.

Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, juntamente com Robson Fonseca, também são acusados de organização criminosa. O colegiado vai decidir pela condenação ou pela absolvição dos acusados e, em caso de condenação, fixar as penas, com possibilidade de recurso em ambas as hipóteses.

Fonte: Manoela Alcântara