Fachin repudia inclusão de ministros do STF em relatório da CPI

15 de abril de 2026 18

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, repudiou a inclusão dos nomes dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli no relatório de indiciamento da CPI do Crime Organizado.

Em nota divulgada na noite desta terça-feira (14/4), Fachin disse que desvios de finalidade das CPIs “enfraquecem os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão”.

“Ninguém está acima da lei, e os direitos fundamentais prescritos na Constituição devem ser integralmente observados. A independência do Poder Legislativo deve ser preservada na apuração de fatos, sempre com responsabilidade e pertinência”, escreveu.

Fachin salientou que o Supremo está ciente de que cabe a todos respeitar a independência e a autonomia dos Poderes da República, “como é da secular tradição de nossas instituições”.

“O Supremo Tribunal Federal reafirma que seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas”, ponderou o presidente do STF.

O ministro ainda, na nota, se solidarizou com o trio. O documento foi divulgado em meio à rejeição do relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-CE) no Senado Federal, pelo placar de 6 votos a 4.

Segunda Turma

Mais cedo, Gilmar e Toffoli se manifestaram sobre o indiciamento proposto, àquela altura, contra eles. Os dois criticaram o desvio de finalidade da CPI, voltada à investigação do crime organizado.

Gilmar disse que Vieira se “esqueceu dos seus colegas milicianos” no relatório e ponderou que os trabalhos da comissão sequer quebraram o sigilo de milicianos ou integrantes de facções, como era o intuito da CPI.

“Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados, por parte do senador relator, neste caso, eu disse: é curioso. Ele [Alessandro Vieira] se esqueceu dos seus colegas milicianos. Decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus. Mas só esse fato narrado já demonstra o quanto nós descemos muito na escala das degradações”, pontuou o ministro.

Depois, o ministro Dias Toffoli disse que acreditava que o relatório era “aventureiro” e visava “obter votos”, além de ponderar que o documento era antidemocrático.

“É um relatório completamente infundado, sem base jurídica, sem base em verdade factual e com um único e nítido sentido de obter votos. Isso é abuso de poder”, disse Toffoli.

Fonte: Pablo Giovanni