Emojis, cores, formas: a disputa pelo Planalto a partir dos símbolos das campanhas

17 de agosto de 2026 16

Embora a campanha presidencial tenha ganhado oficialmente as ruas apenas neste domingo, 16, a disputa pela Presidência entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) começou ainda longe dos palanques e da busca explícita pelo voto do eleitor. Desde o anúncio da intenção de concorrerem ao Planalto em outubro, os dois favoritos travam uma disputa silenciosa em torno de símbolos, marcas e narrativas.

Líder nas pesquisas e candidato à reeleição, Lula aposta na manutenção do vermelho como identidade da campanha, mas abre espaço para as cores da bandeira brasileira. O movimento faz parte da estratégia de reforçar o discurso do presidente em defesa da soberania nacional e, ao mesmo tempo, de tentar resgatar símbolos que passaram a ser fortemente associados ao bolsonarismo.

“A grande novidade visual é a recuperação das cores brasileiras como algo que não pertence ao bolsonarismo”, avalia o cientista político Sérgio Praça, ao mesmo tempo que faz uma ressalva. “O esforço da campanha de Lula para colocar o vermelho em segundo plano é interessante e contraditório. A retórica do presidente está cada vez mais vermelha”, diz.

Para além da combinação de cores, a campanha petista também busca rejuvenescer a imagem do presidente. Para isso, aposta nas imagens de Lula usando chapéu — o que passou a ser também uma exigência médica após o petista fazer um procedimento para retirada de um câncer de pelo no topo da cabeça. Em paralelo, recorre a materiais de campanha que dialogam mais diretamente com o eleitorado jovem, com emojis, formas, fontes e elementos mais associados ao universo virtual.

“O que a equipe do Lula tem feito muito é tentar trazer um pouco mais de cor e leveza, com emojis e uma identidade visual mais colorida. Lula está tentando trazer um pouco mais de leveza para a campanha dele”, observa o especialista em comunicação estratégica Deco Bancillon.

Do outro lado da disputa presidencial, Flávio Bolsonaro aposta em uma identidade mais pessoal. Na logo da campanha, o destaque fica por conta da letra “V” e da tipografia utilizada. A estratégia busca associar o senador a seu pai, Jair Bolsonaro, ao desenhar a letra de modo semelhante à grafia do ex-presidente na carta em que avalizou a candidatura.

“A campanha tenta seguir um caminho muito óbvio, que é o caminho do ‘V’ da vitória, um símbolo muito comum em campanhas. É um símbolo fácil de ser replicado. E eles tinham, inclusive, um elemento de narrativa que poderia conectar com essa letra. Tentaram fazer essa conexão com o endosso do pai, com esse elemento de trajetória, e isso é interessante”, afirma Bancillon.

Assim como Lula, Flávio também tenta se aproximar do público jovem ao apostar em uma imagem mais informal. Na foto da urna, inclusive, o senador aparece vestindo camisa social azul-clara e sem gravata ou paletó. A estética reforça a ideia de alguém acessível e busca afastar o parlamentar da imagem do político tradicional, repetindo a estratégia recorrente do bolsonarismo de se apresentar como uma força antissistema. “Flávio, assim como o pai Jair, é um político profissional há muito tempo. Impossível convencer alguém, hoje, de que é contra o sistema. O sobrenome Bolsonaro já é establishment”, pontua Praça

Fonte: Victor Fuzeira