Em crise interna, PT quer ‘relançar Lula’ após ficar a reboque da crise no STF
O chamado feito por Edinho Silva para que petistas ocupem “as ruas e as redes” neste domingo, 13, foi feito em clima de tensão e muitas críticas internas. O presidente do PT e coordenador-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao apelo em um momento que, internamente, é considerado crítico: com Lula caindo nas pesquisas nas duas últimas semanas, em especial a partir do início da crise no STF (Supremo Tribunal Federal), e com o avanço de Flávio Bolsonaro, bateu o desespero no comitê e a saída é tentar “retomar o entusiasmo” a três semanas do primeiro turno.
Com a ideia de “relançar” a candidatura de Lula, o PT está pedindo para que cada representa do partido em municípios, bairros ou pequenas comunidades organize alguma atividade: rodas de conversa, bandeiraços, carreatas, panfletagens e encontros em praças e ruas. Há, porém, um problema no caminho: até agora, faltaram bandeiras, panfletos, mobilização e, de acordo com os próprios petistas, rumo político. “Tem uma parte política que é o fato de a campanha não ter estruturado uma estratégia de combate político”, critica um ex-dirigente do partido, pedindo anonimato. “A campanha no rádio e na TV é aquela de dizer que Lula fez isso ou vai fazer aquilo. Isso não funciona, ainda mais em um momento de crise institucional”, prossegue. A impressão cada vez mais forte entre petistas é de que a campanha de Lula “está batendo cabeça”.
Nesta semana, Edinho chamou uma reunião com a executiva do partido e coordenadores de campanha para tentar fazer frente à crise no Judiciário que domina o noticiário e tragou o presidente. Ao final da reunião, sobre a distribuição de material, ele atribuiu a desordem a um “erro de planejamento”. “Mas quem é o coordenador da campanha?”, questionou um petista descontente. “Era melhor ele dizer: eu errei e peço desculpas, vou tentar melhorar”, sugeriu em seguida, provocando o presidente do partido. “O dinheiro do fundo [partidário] chegou. Portanto, não tem falta de dinheiro”, reclamou outro integrante do partido.
Um dos coordenadores da campanha disse que a ideia agora é passar a agir de forma mais organizada, com distribuição de material, para tentar conter a fúria de militantes nos estados e municípios que, até o momento, não receberam material de divulgação. Ao falar da tentativa do presidente do STF, Edson Fachin, de estancar a crise na corte, esse mesmo dirigente afirmou: “Que a gente possa finalmente retomar a campanha debatendo temas do país”.