Em ARIQUEMES, como o imóvel comercial para alugar virou um péssimo negócio

3 de setembro de 2026 18

A cidade cresce para os lados, não para dentro — e isso tem um preço que ainda não apareceu na conta de ninguém.

 O cenário : uma cidade que se espalha 

Em Ariquemes, a abertura nos ultimos anos de novos loteamentos dispersa moradores e comércio em vez de adensá-los. O problema não é abrir bairros novos, mas abri-los num ritmo mais rápido do que a cidade consegue gerar consumidores, empregos e infraestrutura para sustentá-los. O resultado é um território maior sem uma economia proporcionalmente maior por trás dele.

 Quando o imóvel deixa de ser líquido 

O efeito mais visível está nos imóveis comerciais antigos. Proprietários relatam que espaços antes alugados em dois ou três meses agora ficam vazios por seis a doze, com aluguéis pressionados para baixo. 

A explicação é simples: mais oferta de imóveis nos novos loteamentos, sem crescimento equivalente da demanda, corrói a escassez que sustentava o valor dos imóveis consolidados — e junto com ela, o poder de barganha de quem aluga.
Um imóvel parado não é apenas um imóvel sem renda. É IPTU, manutenção, segurança, depreciação e custo de oportunidade correndo contra o proprietário.

 A diferença entre lote vendido e cidade construída 

Um lote vendido não é, automaticamente, uma moradia, um consumidor ou um emprego novo. Essa distinção é o centro do problema: o loteador realiza o valor no momento da venda, enquanto o município herda, por décadas, o custo de ruas, iluminação, transporte, saúde, educação e segurança para atender um território que se expandiu mais rápido do que sua base fiscal.

 O embate : crescer ou expandir além da capacidade fiscal 

Defensores da expansão apontam demanda habitacional reprimida, aquecimento da construção civil, geração de empregos e arrecadação. Críticos perguntam se a cidade consegue adensar população e atividade econômica no mesmo ritmo em que amplia seu território.

A pergunta relevante não é quantos lotes são abertos, mas quantos deles se convertem, de fato, em moradias ocupadas, consumidores ativos e negócios duradouros. Municípios paulistas já testaram planos diretores e leis de zoneamento que condicionam novos loteamentos à capacidade instalada de infraestrutura — não para impedir o crescimento, mas para evitar que a cidade se estenda mais rápido do que sua própria estrutura consegue acompanhar.

 O custo invisível da dispersão 

Uma cidade mais espalhada é, por definição, menos produtiva por unidade de infraestrutura: mais quilômetros de coleta de lixo, mais manutenção viária, rotas de transporte público mais longas — tudo para atender uma população que não cresceu na mesma proporção do território. Enquanto isso, o déficit habitacional pode simplesmente persistir, porque lote vendido não equivale a moradia ocupada.

 O que está em jogo 

Ariquemes precisa decidir se vai continuar tratando expansão urbana como sinônimo de oferta de terrenos, ou se vai condicioná-la a uma equação mais ampla — habitação, mobilidade, arrecadação, infraestrutura, emprego, vitalidade comercial.

É nessa distância entre o valor privado capturado na venda de um lote e o custo público de sustentar uma cidade maior que a expansão urbana deixa de ser uma questão de urbanismo e se torna uma questão de economia política: quem lucra com o crescimento horizontal, e quem vai pagar a conta dele nas próximas décadas.

Fonte: OER — Observatório da Economia Real.
JABURU DIRETO AO ASSUNTO

Chegou 2016. E aí rei da cocada? E aí autoridades? 1 – Ano de eleição. Não fez, não fez! Político promessa é igual produto ruim. Experimenta-se somente uma vez. 2 – E aí a propaganda? Prometeu. Mentiu. Não fez. Não cumpriu. Enganou. Difícil apagar da mente. Não adianta gastar a grana do povo. Tirar foto com fotoshop. Vai ter que tirar do ar. Os da lei mandaram! 3 – E tem mais! Aguenta a oposição mostrando e reprisando as notícias das promessas e das maracutaias. 4 – E as maracutaias “novas”? Tem muita gente calada. Por conveniência. Muda nunca! Amordaçada muito menos! E roubo não se esconde e muito menos se esquece. Os caminhos ficaram marcados e o pior, documentados. 5 – Tá tudo scaneado e filmado. E haja sacanagem! Como diz o caipira. “Na roça tem hora pra tudo!”. “Pra cume, pra bebe, pra trabaia, pra caga e pra fala mar dosoutros”. 6 – E a elite está preocupada. A tropa já está em campo avaliando suas empatias. 7 – Cidade e mente. Ambas pequenas. É assim! Querem vencer pela empatia e pelo poder. Tudo no interesse próprio. 8 – E a elite mostrando --- o ruim que “gostam” e o bom que não os “serve”. O município se desenvolve, mas as cabeças dominantes são permanentemente contaminadas, agora pelo Zika Vírus. “E a Cidade faz a sua metamorfose atropelada e empurrada pela população, mas continua o berço da elite dos homens de cabeça pequena”. --- Praga que resiste ao tempo. Participe. 9 – Esta coluna é escrita com a participação de várias pessoas e Você poderá participar e contribuir enviando e-mail para: jaburu.ro@gmail.com 10 – Envie sua observação, crítica, matéria, sugestão, pauta, direito de resposta, etc, em até quatro linhas.