Dólar cai a R$ 4,95 após Copom; Ibovespa sobe, mas encerra abril no zero a zero

1 de maio de 2026 23

Principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, 30, em pregão de recuperação, mas terminou abril quase no zero a zero, após uma sequência de quedas que o distanciou da marca inédita de 200 mil que ensaiou atingir em meados do mês. Já o dólar fechou em queda firme no Brasil e acumula desvalorização no mês.

Ibovespa subiu 1,39% no dia, a 187.317,64 pontos, mas caiu 1,8% na semana, encurtada pelo feriado do Dia do Trabalho na sexta-feira, e terminou abril com variação negativa de 0,08%.

Na máxima do dia, chegou a 187.920,77 pontos. Na mínima, marcou 184.758,66 pontos. O volume financeiro somava R$ 20,33 bilhões antes dos ajustes finais.

dólar à vista fechou em baixa de 1,00%, aos R$ 4,9523. Na semana, acumulou queda de 0,94%.

As quedas seguidas do Ibovespa

Desde que renovou as máximas históricas em meados do mês, o Ibovespa fechou no azul em apenas um pregão de dez sessões até a véspera, acumulando no período um declínio de 7%. A correção acompanhou a saída de investidores estrangeiros, que vinham sustentando as ações brasileiras. No mês, o saldo ainda está positivo, em R$ 6,9 bilhões, conforme dados da B3 até o dia 28. Até o dia 15, porém, havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões.

Apesar de ter ficado no zero a zero em abril, no acumulado no ano o Ibovespa ainda tem ganho de 16,26%.

Investidores continuaram monitorando a cena geopolítica nesta sessão, quando o barril de petróleo sob o contrato Brent chegou a superar US$126, máxima desde março de 2022, antes de perder o fôlego e fechar com queda de 3,41%, a US$114,01.

Ainda na quarta-feira, o site de notícias Axios publicou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve receber informações nesta quinta-feira sobre os planos para uma série de novos ataques militares contra o Irã, o que fez o petróleo disparar.

Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que, se Washington renovar a agressão, responderá com “ataques longos e dolorosos” a posições dos EUA, complicando os planos de Washington para uma coalizão internacional para abrir o Estreito de Ormuz.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 1% com agentes também repercutindo números e perspectivas de grandes empresas de tecnologia.

A temporada de resultados de empresas de primeiro trimestre no Brasil também ocupou as atenções, incluindo os números de Suzano e Motiva, divulgados na véspera, assim como a decisão do Banco Central de cortar a taxa Selic na quarta-feira para 14,50% ao ano.

Veja abaixo o comparativo de rentabilidade no mês de abril dos principais investimentos, segundo levantamento da Elos Ayta:

Dólar fecha mês abaixo de R$ 5

“Hoje tivemos o dólar perdendo no mundo e a bolsa aqui subindo, trazendo fluxo de capital para cá”, destacou Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.

A moeda norte-americana teve perdas significativas no exterior, com o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caindo 0,79%, a 98,078. Além da moeda, o petróleo também caiu, com os futuros do Brent chegando a subir até US$ 126,41 o barril mais cedo, mas não sustentando os ganhos e fechando em queda de US$ 4,02, ou 3,4%, a US$ 114,01. Já o petróleo dos EUA caiu US$ 1,81, encerrando o dia a US$ 105,07.

“A melhora do humor externo — com altas nas bolsas, queda do DXY e dos rendimentos das Treasuries — favoreceu moedas emergentes e pressionou a moeda americana”, analisa o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini. “O resultado foi um dólar em queda, oscilando próximo das mínimas recentes, em um cenário de fluxo favorável a ativos de risco.”

Localmente, os agentes avaliaram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que, em seu comunicado, argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de “calibração” da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta.

O anúncio fez bancos reavaliarem suas projeções para a Selic, prevendo menos cortes na taxa, o que tende a favorecer o real. Economistas do Itaú Unibanco revisaram sua previsão para a taxa Selic em 2026 para 13,25%, de 13%, além de aumentarem suas expectativas para a inflação. O Goldman Sachs também passou a ver um risco de alta para sua previsão de Selic em 13,25% até o final de 2026, esperando que o Copom reduza a taxa em 0,25 ponto percentual na próxima reunião. Já a SulAmérica Investimentos foi além, revisando a Selic de 13% para 14% no fim do ano.

No mercado local de câmbio, a sessão também foi marcada pela formação da Ptax do fim de abril. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). No início da tarde, a Ptax fechou em R$ 4,9886 na venda.

Fonte: ISTOÉ DINHEIRO com Reuters