Como os líderes da corrida presidencial usaram o 7 de Setembro para buscar votos

8 de setembro de 2026 17

Os candidatos que lideram as intenções de voto para presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, aproveitaram o feriado da Independência para explorar bandeiras caras às suas campanhas. Ao participar do tradicional desfile na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Lula aproveitou para repisar o discurso da soberania e se contrapor à proximidade do clã Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump. Embora a cerimônia tenha sido sóbria, seguindo a recomendação de auxiliares para evitar riscos de associação com um ato de campanha, o petista explorou o tema nas redes. Flávio, por sua vez, reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, e explorou a crise inédita que atravessa o STF (Supremo Tribunal Federal), buscando associar Lula a Alexandre de Moraes.

Além do discurso da soberania, Lula usou a data para falar ao eleitorado feminino e condenar a violência contra as mulheres. Como não há discurso no desfile, o petista deu seus recados em um pronunciamento feito na véspera em cadeia de rádio e televisão. De forma indireta, ele criticou o tarifaço imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros e afirmou que o Brasil não será “colônia de ninguém”.

No palanque, de alguma forma ele quis passar mensagens sobre a crise no Supremo. O presidente se empenhou pessoalmente para que o presidente da corte, Edson Fachin, estivesse presente — Fachin, aliás, foi o único dos atuais dez ministros do tribunal a participar. Também estavam lá os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Para dar um toque mais pop à tribuna de honra, foi convidado o comediante Paulo Vieira, da TV Globo, apoiador declarado do petista e amigo de Janja.

Na Paulista, Flávio Bolsonaro aproveitou a data, já incorporada ao calendário de mobilizações bolsonaristas, para reforçar a estratégia de sua campanha de associar a imagem de Lula à de Alexandre de Moraes, cujas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro foram expostas na semana passada pelo também ministro do STF André Mendonça, em um movimento que deflagrou a mais grave crise da história da corte. O candidato do PL disse que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes” e chamou o ministro de “laranja podre” no Supremo. Mendonça foi reverenciado pelos apoiadores do candidato do PL.

Ao lado dele estavam o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), além do pastor Silas Malafaia. Flávio lembrou que o presidente a ser eleito em outubro indicará cinco novos integrantes do STF e defendeu que os escolhidos precisam cumprir alguns requisitos: ser “contra o aborto, contra as drogas, contra a ideologia de gênero nas escolas, que respeitem a Constituição, que não persigam adversários políticos e que ajudem a resgatar a credibilidade do Supremo

Fonte: Victor Fuzeira