Como o tarifaço reforça o discurso de Lula e explicita o apoio dos EUA a Flávio

16 de julho de 2026 18

Aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, explicitou a motivação eleitoral do tarifaço ao ir às redes sociais e dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “colocou seu próprio ego acima de fechar um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro” e que as sobretaxas são “o preço a pagar por isso”.

A posição confirma o recado de Lula ao final da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, de que havia risco de Donald Trump interferir no processo eleitoral. “Ele pode continuar gostando do Bolsonaro pai, do filho e do neto, é um problema dele, afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”.

Em sua campanha à reeleição, Lula usará esse e outros argumentos para reforçar o discurso contra o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de respeito à soberania do país, buscando explorar o contraste entre as posições pró-EUA de Flávio Bolsonaro e as reações do petista diante do presidente americano. Na disputa eleitoral, os dois candidatos já mostraram como vão abordar o tarifaço: Lula acusa Flávio de pedir a Trump a sanção contra o Brasil e Flávio diz que Lula motivou o tarifaço ao provocar os Estados Unidos.

Nas redes sociais, Flávio replicou a postagem de Rubio, referindo-se a Lula como “Biden brasileiro” sem condições de ser o presidente do Brasil. “Estamos num avião sem piloto”, escreveu Flávio. Assim, o pré-candidato do PL reafirma seu alinhamento com o governo americano que impôs o preço para exportações brasileiras e abre espaço para o presidente usar o argumento de que o adversário conspira contra o país.

Medição
A pesquisa Quaest divulgada pelo G1 nesta quinta-feira, 16, confirmou aos petistas o tom discurso a ser feito na campanha. O levantamento aponta que a maioria dos entrevistados atribui a Flávio a responsabilidade pelas tarifas dos EUA e que o tema tem tirado votos do senador, inclusive entre parte do eleitorado de direita.

A pesquisa questionou sobre a concordância com as teses defendidas pelos dois pré-candidatos sobre a motivação do tarifaço, apresentando a seguinte pergunta: Sobre as novas tarifas, você concorda com Lula que foram pelo Pix, ou com Flávio que foram pelo que Lula fala?

No geral, 44% concordam com a versão de Lula e 33% com a de Flávio. Ao observar o movimento dos eleitores da direita não bolsonarista, os que concordavam com Flávio em junho somavam 75%. Neste mês, porém, esse percentual caiu para 67%. Nesse grupo, Lula subiu 3 pontos percentuais, marcando 15%. Flávio também teve seu apoio reduzido entre os que se declaram bolsonaristas.

Antes, 87% concordavam mais com suas explicações, agora esse percentual é de 82%. Nesse grupo, Lula oscilou de 3% para 4%. Flávio caiu também entre os independentes de 26% em junho para 24% agora. Lula, nesse grupo, subiu de 39% para 44%. 

Fonte: Luciana Lima