Clima sem vacina + Porto Velho é um mau exemplo + Páscoa amarga
Clima sem vacina
O que diferencia os sobreviventes dos que não resistiram às tragédias é a capacidade de se adaptar às circunstâncias. O cientista social Luke Parry, da universidade britânica de Lancaster, atualmente mergulhado em pesquisas sobre impactos da degradação ambiental e rigores climáticos na Amazônia, observou em suas pesquisas que a população local adaptou seu estilo de vida para lidar com as mudanças climáticas, mas até a adaptação tem limites.
Com pesquisadores brasileiros da Fiocruz ele publicou recentemente um estudo que liga as chuvas extremas ao peso mais baixo dos recém-nascidos na região. A pesquisa demonstra, com base nesses reflexos assustadores, que “a extensão do aumento dos níveis dos rios e das chuvas já excedeu as capacidades adaptativas das pessoas”.
Como a Covid, que mesmo curada deixa sequelas para infernizar a vida futura do paciente, nascer abaixo do peso é a infeliz promessa de um futuro de vulnerabilidades. É também desastroso, segundo o estudo, publicado pela revista científica Nature Sustainability, que mesmo chuvas intensas não-extremas levam à chance 40% maior de uma criança nascer abaixo do peso. Para a Covid-19 já existem vacinas, até para variedades e novas cepas, mas não há vacinação possível contra os rigores do clima, a não ser combater suas causas e os riscos de piorar.
...................................................................
Um exemplo
O recente lockdow desenvolvido pelas autoridades sanitárias no município de Araraquara, no interior de São Paulo é um exemplo a ser seguido por todo País, principalmente por Rondônia onde a maioria das municipalidades não tem atuado com a devida seriedade no combate a pandemia. Lá, depois de 15 dias de fechamento de tudo, os resultados apareceram com a diminuição de internamentos, de infectados e de mortes. A união política também funciona, todos se unindo pela mesma causa.
Mal exemplo
Já, Porto Velho, é um mau exemplo na condução sanitária, tanto pelo governo do estado como pela prefeitura local. A falta de união política entre as esferas estaduais e municipais, de uma fiscalização mais rigorosa para evitar as aglomerações, afundaram a capital rondoniense. Hospitais e cemitérios superlotados e a situação se agravando cada vez mais. A compra de vacinas pelo município é uma tentativa e frear a lamentável situação, no entanto até chegarem – fala-se em pelo menos 30 dias – o Tonhão já não terá mais valas para acomodar tantos defuntos.
O despovoamento
Embora Porto Velho e alguns municípios rondonienses tenham conquistado bons índices de crescimento populacional nos últimos anos, Rondônia sofre um processo de despovoamento em várias regiões do estado desde a década passada. O IBGE vai constatar, no censo deste ano, a triste realidade, com a própria capital rondoniense reduzindo seus números demográficos. Por aqui, existe um exagerado volume de venda de imóveis de famílias se transferindo para outros estados e uma nova revoada para os Estados Unidos mesmo com o boato (puro fake) de que as fronteiras daquele estão abertas para os imigrantes.
Novos rumos
Poucos deputados federais de Rondônia devem manter o projeto de reeleição no ano que vem. Senão vejamos: Leo Moraes (Podemos) vai arriscar uma cadeira ao Senado. O mesmo projeto é confirmado pela deputada federal Jaqueline Cassol (PP), Mariana Carvalho (PSDB) é cogitada para ser vice na chapa de Marcos Rogério ao governo do estado. Lucio Mosquini insiste com o projeto de ser governador pelo MDB. Sobram para a reeleição apenas a metade da bancada, Expedito Neto (PSD), Chrisóstomo (PSL), Mauro Nazif (PSB) e Silvia Cristina (PDT).
Páscoa amarga
Com a pandemia estraçalhando a vida dos brasileiros, teremos na pascoa do coronavirus, a mais amarga da história. As primeiras levas de ovos de chocolate chegando em Porto Velho - com os supermercados reduzindo a oferta do produto nesta temporada – já desembarcam com preços salgados para os consumidores. Muita gente, atendendo aos reclamos da criançada, já está se socorrendo com a fabricação de ovos caseiros para economizar. Tempo não faltará com as restrições impostas para o isolamento social.
Via Direta
*** Com enviados especiais, o SGC acompanhou os atoleiros da rodovia 319 que neste inverno amazônico foi atingido pelos rigores do inverno amazônico *** Na semana passada, o deputado coronel Menezes (PSL-AM) liderou expedição na estrada Manaus-Porto Velho, constatando a lamentável situação da rodovia, onde nem tatu com chuteira consegue andar *** O governador Gladson Cameli (Progressistas) implantou lockdow completo no vizinho estado do Acre, que também sofre com enchentes, dengue e a crise migratória com a revoada de haitianos pelo Peru em direção aos EUA ***Além dos haitianos, imigrantes africanos de passagem por Rondônia nos últimos anos acompanham a jornada.
MAIS LIDAS
Cármen, Kassio e Toffoli serão "fiéis da balança" em sessão sobre Moraes
Nome de operação da PF contra Lulinha incomoda entorno de Lula
Os nomes do PT que correm por fora para suceder Lula
POLITICA & POLÍTICOS (CARLOS SPERANÇA)
Colunista político do Jornal "DIÁRIO DA AMAZÔNIA", Ex-presidente do SINJOR, Carlos Sperança Neto é colaborador do Quenoticias.com.br. E-mail: csperanca@enter-net.com.br