Cerca de 51% dos pedidos ao INSS foram negados no 1º semestre

17 de agosto de 2026 15

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) negou cerca de 4,3 milhões de pedidos de benefícios no primeiro semestre de 2026, enquanto 4,2 milhões foram concedidos no período.

Os dados mostram que aproximadamente 51% dos requerimentos analisados terminaram em indeferimento, enquanto a taxa de concessão ficou em 49,5%, segundo dados do instituto.

O resultado ocorre no mesmo período em que o governo conseguiu reduzir a fila de pedidos que aguardavam análise. Em janeiro, havia 1,882 milhão de processos parados há mais de 45 dias. Em julho, esse número caiu para 374 mil, uma redução de 80% e o menor estoque registrado desde janeiro de 2023.

A queda da fila foi acompanhada pelo aumento do número de análises concluídas pelo INSS. Em julho, o instituto registrou 1,658 milhão de análises, o maior volume mensal da história. O recorde anterior havia sido registrado em março, quando foram concluídas 1,626 milhão de análises.

O INSS garante que o aumento nas rejeições não é resultado da aceleração do trabalho de análise.

De acordo com o órgão, à medida que mais processos acumulados são avaliados, cresce também o número absoluto de decisões, tanto de concessão quanto de indeferimento.

Bônus de produtividade para servidores do INSS

  • bônus de produtividade foi criado para incentivar servidores do INSS a acelerar a análise de pedidos de benefícios e reduzir a fila de processos pendentes;
  • O programa prevê pagamento adicional aos servidores que realizam análises além da jornada regular, conforme regras e metas estabelecidas pelo governo;
  • A medida ganhou importância diante do alto estoque de requerimentos que aguardavam análise e da pressão para reduzir o tempo de espera dos segurados.

A taxa de concessão registrada nos seis primeiros meses de 2026, de 49,5%, está próxima dos percentuais observados pelo instituto nos anos anteriores. Em 2021, 50,6% dos pedidos analisados foram concedidos. Em 2022, o índice ficou em 50,5%.

Ao Metrópoles, o INSS afirmou que os indeferimentos fazem parte do processo de análise dos requerimentos e ocorrem quando o segurado não cumpre os requisitos necessários para receber o benefício ou não atende às exigências feitas durante a análise, como a apresentação de documentos e  o cumprimento de prazos.

Os motivos para as negativas variam de acordo com o tipo de benefício. Em julho, entre os benefícios por incapacidade, o principal motivo de indeferimento foi a incapacidade não reconhecida pela perícia médica. No caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a principal razão foi o não atendimento ao critério de deficiência.

Para as pensões, o motivo mais frequente foi a falta de comprovação da qualidade de dependente. Entre as aposentadorias, o principal motivo de indeferimento foi o não atendimento a legislações específicas ou especiais.

O instituto também afirmou que as decisões seguem os critérios previstos na legislação e são submetidas a mecanismos internos de controle. Segundo o órgão, todas as decisões passam por amostragem contínua de auditoria técnica.

A redução da fila ocorre após uma sequência de medidas para aumentar a capacidade de análise do instituto. Com mais processos sendo concluídos, o estoque de requerimentos pendentes caiu ao longo do ano. Em julho, além do recorde de análises, foram concedidos 846 mil benefícios.

Nos casos em que o pedido é negado, o segurado pode contestar a decisão. O cidadão tem direito a apresentar recurso administrativo no prazo de 30 dias para pedir a revisão da análise.

Período eleitoral

A redução da fila de pedidos do INSS ganha peso adicional em ano eleitoral, já que a melhora no tempo de resposta tem impacto direto sobre milhões de segurados. A queda do estoque pode ser apresentada pelo governo como resultado concreto de uma gestão mais eficiente, especialmente após anos de críticas à demora na análise dos requerimentos.

O resultado também ocorre após uma mudança no comando do INSS no início deste ano. Em abril, Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência da autarquia no lugar de Gilberto Waller Júnior. A troca marcou uma tentativa do governo de reforçar a gestão do instituto e dar resposta às pressões por melhorias no atendimento e redução da fila.

Desde então, a nova direção passou a dar prioridade para acelerar análises e reduzir a fila de requerimentos.

Fonte: Gabriela Pereira