Camargo não vota no relatório da CPI das Reservas, mas mente na cara dura
Matilde sempre foi dessas que não deixa passar batido. Quando leu no site oficial da Assembleia de Rondônia que o deputado Camargo havia votado a favor do relatório da CPI das Reservas, arregalou os olhos, levantou a sobrancelha e pensou:
— Ué, mas ele nem estava lá!
Confirmou com uma amiga da assessoria da casa e, de fato, Camargo tinha sumido no horário da votação. Somente 17 deputados estavam presentes na votação e votaram pela aprovação do relatório. O bonitão pulou fora. Desapareceu. Evaporou.
Mas, pasmem: dias depois, lá estava no site oficial uma matéria toda pomposa. “Deputado Delegado Camargo vota a favor do relatório final da CPI das Reservas Ambientais e reforça defesa dos produtores rurais.”
Vota? Vota onde, meu senhor? Do sofá de casa? Do camarim narcisista?
Matilde riu com a ironia amarga que só os anos — e os escândalos repetidos — ensinam. O moralista de palanque, aquele que vive discursando sobre ética e verdade, revelou mais uma vez o que sempre foi: um personagem mal ensaiado. Um ator sem roteiro. Um artista do improviso… da mentira.
Fugiu da votação como quem foge da própria consciência. Não acreditava no relatório, duvidava e falou que aquilo não daria em nada. Mas bastou a repercussão, as manchetes, os prints, os mapas das reservas inventadas… e lá vem ele, de terno e pose, fazendo o que sabe fazer de melhor.
Mentindo.
Matilde suspirou fundo e comentou com seu gato, que parecia mais coerente do que muito parlamentar:
— Mente. Mente. Mente. E o mais triste: ainda tem quem aplauda.
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