Anvisa confirma denúncias da Unilever contra Ypê antes de suspensão de produtos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que recebeu denúncias da Unilever contra a Química Amparo meses antes da suspensão da fabricação e comercialização de produtos líquidos da marca Ypê.
Em nota publicada pela agência, a Anvisa afirmou que as representações foram apresentadas pela Unilever em outubro de 2025 e março de 2026 por meio do sistema Fala BR, canal de ouvidoria utilizado pelo órgão.
“A legislação e a regulamentação administrativa que regem o funcionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) preveem que denúncias de terceiros — empresas, entidades da sociedade civil, especialistas e população em geral — desencadeiem procedimentos de análise e apuração”, informou a agência.
Segundo a Anvisa, denúncias desse tipo passam por avaliação técnica, que considera “possíveis provas materiais”, seguida de ações de vigilância sanitária.
A agência afirmou ainda que, além das denúncias, já havia uma fiscalização previamente programada para abril de 2026 pelo Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e pela Vigilância Sanitária municipal de Amparo (SP), realizada em parceria com a Anvisa na última semana do mês.
Procurada pelo g1, a Unilever afirmou que costuma realizar testes técnicos em seus próprios produtos e, eventualmente, em produtos da concorrência, prática que classificou como comum no setor. A empresa disse ainda que, “a depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”.
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Imagens mostram inspeção sanitária realizada na fábrica da Ypê — Foto: Reprodução/TV Globo
Documentos detalham a denúncia
Na quarta-feira (13), a Folha de S. Paulo revelou que a Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, apresentou documentos à Senacon e à Anvisa apontando suposta contaminação microbiológica em produtos da linha Tixan Ypê. A informação foi confirmada pelo g1 após acesso aos documentos.
Em uma das denúncias, protocolada em outubro de 2025, a multinacional afirmou ter identificado presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes de lava-roupas Tixan Ypê Express após testes laboratoriais.
Já em março de 2026, a empresa apresentou nova denúncia afirmando que outros 14 lotes de produtos da linha Ypê também teriam apresentado contaminação microbiológica em análises conduzidas pelo laboratório Eurofins.
A crise ganhou novos desdobramentos nesta semana após a própria Anvisa informar ao g1 que a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi identificada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca Ypê durante inspeção realizada em abril na fábrica da empresa, em Amparo (SP). A fiscalização também apontou 76 irregularidades na unidade.
A Química Amparo contestou as conclusões apresentadas pela concorrente e afirmou anteriormente que possui laudos independentes que comprovariam a segurança dos produtos.
A Diretoria Colegiada da Anvisa deve retomar nesta sexta-feira (15) a análise do recurso apresentado pela Ypê contra a resolução que determinou a suspensão da fabricação, comercialização e recolhimento de parte dos produtos líquidos da marca.]