Ação quer responsabilizar XP, BTG e Nubank por venda de CDBs do Master
As plataformas XP, BTG e Nubank tornaram-se alvo de uma ação civil pública que tramita na 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O objetivo do processo, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Trabalhador (Abradecont), é que as corretoras sejam responsabilizadas por publicidade enganosa, além de omitir informações e induzir investidores à compra de CDBs do Master.
De acordo com a ação, as plataformas teriam vendido “um produto com risco considerável, em que foi desconsiderado o rating questionável do emissor, apresentando-o ao investidor como ‘seguro’ e ‘integralmente garantido pelo FGC [Fundo Garantidor de Créditos]'”.
A Abradecont sustenta que as empresas teriam induzido milhares de consumidores, “muitos deles com perfil conservador e hipervulneráveis, a investir em um produto com risco considerável” e, por isso, pede indenização por danos de R$ 100 milhões.
Ao todo, como mostrou a coluna, XP, BTG e Nubank distribuíram R$ 36 bilhões dos R$ 40 bilhões de CDBs do Master alcançados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A movimentação alimentou não só as contas do Master. O banco era conhecido pelos retornos acima do mercado e, também, por oferecer altas comissões para as corretoras.
Fala-se de até 5% do dinheiro investido pelos clientes. Mas, oficialmente, a taxa era de cerca de 2,5%. Em um cenário ou em outro, os valores são altos. Considerando a retenção de 5%, o valor arrecadado pelas corretoras chegaria a R$ 1,8 bilhão.
A maior parte do valor foi comercializado pela XP: R$ 26 bilhões. O BTG teria intermediado a venda de R$ 6,7 bilhões em CDBs do Master; e o Nubank, R$ 2,9 bilhões — parte da carteira foi herdada após a aquisição da Easynvest.