A INFANTILIDADE DO POVO
Admirava-se Demóstenes, que a multidão, delirasse ao escutar marinheiros ignorantes, que subiam à tribuna, e não ouvisse, com o mesmo entusiasmo, seus discursos, que eram literariamente perfeitos.
Ao lamentar-se a ator, seu amigo, este disse-lhe: para recitar poemas de Eurípedes ou Sófacles.
Demóstenes recitou alguns poemas Em seguida, Sátiro, declamou, e nem pareciam os mesmos….
Desde então, Demóstenes, convenceu-se: que para seu ouvido, com entusiasmo, não bastava construir bem as frases; mas, era necessário falar com convicção e ardor.
Isolou-se num subterrâneo, para que não fosse ouvido, e metendo seixos, na boca (era um pouco gago,) lia e discursava para as paredes.
E nunca mais deixou de cuidar da forma como se exprimia; acompanhando os discursos com gestos, e diferentes intuições.
Certa vez, estando a tratar assuntos de Estado, aos atenienses, verificou que pouca atenção prestavam.
Aproveitou o momento para demonstrar, que o povo não passa de criança-adulta, principalmente quando está em multidão.
E, interrompendo a importante dissertação, disse-lhes:
- “Lembrei-me, agora, de caso, e vou contar-vos, antes que o esqueça”.
Todos os olhos se cravaram no orador.
- “ Um homem alugou um burro, para ir a Atenas. O dono do burro acompanhava-o a pé. O calor era diabólico. Não havia sombras. Tudo fervia. Então, o homem, desmonta, e senta-se na beira da estrada, à sombra do burro. O dono do burrico, que sufocava de tanto calor, protestou, dizendo: “ Aluguei o burro, e não a sombra!”. Retorquia o outro, argumentando: “ Alugando o jerico, aluga, também, a sombra dele! …”
Demóstenes, suspendeu, com elegância, a capa, e desceu do púlpito.
A multidão reclamou, excitada:
- “ Queremos ouvir o resto da história! …”
Mas o orador, voltando-se para aquele mar de gente curiosa, rematou:
-” Para vós é mais importante a história de um burro, o que os negócios de Atenas! …”
Esta perícope, lembra-me o povo do nosso tempo: escuta com mais atenção o corrupto, o ambicioso, do que o virtuoso, cuidador do bem da Nação.
O povo não passa de criancinha, de memória curta; de cata-vento, que vira, consoante sopra a última brisa.
Sempre foi assim, e assim será… porque não há nada mais volúvel, que o ser humano.
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