A Dupla Anistia: Como o Leilão do Saneamento em Rondônia Isola a Aegea de uma Cobrança Milionária

6 de agosto de 2026 22

Além de diluir o passivo de R$ 65 milhões na tarifa de 40 municípios, a realizacao dos tramites finais do leilao estadual anulará a possivel ação de regresso da Prefeitura de Ariquemes contra a concessionária Aegea, transferindo integralmente o risco societário para o consumidor final dos 40 municípios.

### O Contexto: A Engenharia da Blindagem Perfeita 

O leilão para a concessão regionalizada dos serviços de água e esgotamento sanitário em 40 municípios de Rondônia — desenhado para acontecer na Bolsa de Valores (B3) no dia 29/09/26 — é apresentado pelo poder público como o marco zero da universalização do saneamento no estado, sob a égide do Novo Marco Legal (Lei nº 14.026/2020). Sob o verniz da atração de investimentos privados, contudo, oculta-se um sofisticado mecanismo de resolução de contingências jurídicas que beneficia assimetricamente a atual operadora privada de Ariquemes, a Aegea.

A disputa central envolve a condenação de R$ 65 milhões imposta ao município de Ariquemes pelo rompimento unilateral com a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), ocorrido em 2011 para viabilizar a entrada da iniciativa privada. A ameaça de estrangulamento das finanças municipais sempre impôs à prefeitura a necessidade de buscar o ressarcimento da quantia diretamente contra a concessionária privada, por meio de ação de regresso e reparação de danos, apontando a empresa como a causadora direta e beneficiária do evento que gerou a penalidade.

A inclusão do equacionamento da dívida da Caerd na modelagem do leilão estadual transforma essa equação. Ao condicionar a assinatura do novo contrato à repactuação global de haveres e deveres, o edital não apenas limpa o passivo com a estatal, mas desmonta o direito de cobrança do município contra a empresa privada.

### O Nó Górdio: A Mecânica do Duplo Benefício 

A análise financeira e jurídica do arranjo revela uma assimetria regulatória de proporções inéditas. Caso a Aegea sagre-se vencedora do leilão na B3, ela alcança um *duplo benefício sistêmico*: livra-se do polo passivo da reparação de danos perante o município e transfere o custo equivalente da transação para os faturamentos futuros das contas de água e esgoto de toda a população regionalizada.
                                        
A operação ocorre em duas frentes simultâneas:

 1. *A Extinção da Pretensão Indenizatória:*
Para evitar que o município fique insolvente ao arcar com a condenação de R$ 65 milhões, a prefeitura detém a prerrogativa legal (e o dever funcional) de ajuizar ação de reparação de danos contra a Aegea, responsabilizando-a pela causalidade da multa gerada em 2011. Contudo, ao assinar o termo de transição do leilão regionalizado — no qual o valor da outorga quita a Caerd e dá quitação ampla entre concedente, estatal e concessionária —, o processo de indenização do município contra a empresa é extinto por Perda Superveniente de Objeto. A obrigação de ressarcimento da empresa é legalmente perdoada.

 2. *A Recomposição via Mão Dupla Tarifária:* 
O capital utilizado para pagar a outorga que extingue as ações não sai do fluxo de caixa líquido ou do dividendo dos acionistas da concessionária. Ele ingressa na planilha do Estudo de Viabilidade Técnico-Econômica (EVTEA) como Custo de Entrada (Capex/Opex de Transição). Para manter a Taxa Interna de Retorno (TIR) atrativa na B3, esse valor é diluído no cálculo da Tarifa Base cobrada nos 40 municípios do bloco.

Em suma: a empresa deixa de desembolsar R$ 65 milhões em uma ação judicial de ressarcimento contra a Prefeitura de Ariquemes e, simultaneamente, recebe autorização regulatória para reaver esse mesmo montante por meio da tarifa paga pelos munícipes ao longo dos 30 anos de concessão.

Fonte: OER - Observatório da Economia Real.
JABURU DIRETO AO ASSUNTO

Chegou 2016. E aí rei da cocada? E aí autoridades? 1 – Ano de eleição. Não fez, não fez! Político promessa é igual produto ruim. Experimenta-se somente uma vez. 2 – E aí a propaganda? Prometeu. Mentiu. Não fez. Não cumpriu. Enganou. Difícil apagar da mente. Não adianta gastar a grana do povo. Tirar foto com fotoshop. Vai ter que tirar do ar. Os da lei mandaram! 3 – E tem mais! Aguenta a oposição mostrando e reprisando as notícias das promessas e das maracutaias. 4 – E as maracutaias “novas”? Tem muita gente calada. Por conveniência. Muda nunca! Amordaçada muito menos! E roubo não se esconde e muito menos se esquece. Os caminhos ficaram marcados e o pior, documentados. 5 – Tá tudo scaneado e filmado. E haja sacanagem! Como diz o caipira. “Na roça tem hora pra tudo!”. “Pra cume, pra bebe, pra trabaia, pra caga e pra fala mar dosoutros”. 6 – E a elite está preocupada. A tropa já está em campo avaliando suas empatias. 7 – Cidade e mente. Ambas pequenas. É assim! Querem vencer pela empatia e pelo poder. Tudo no interesse próprio. 8 – E a elite mostrando --- o ruim que “gostam” e o bom que não os “serve”. O município se desenvolve, mas as cabeças dominantes são permanentemente contaminadas, agora pelo Zika Vírus. “E a Cidade faz a sua metamorfose atropelada e empurrada pela população, mas continua o berço da elite dos homens de cabeça pequena”. --- Praga que resiste ao tempo. Participe. 9 – Esta coluna é escrita com a participação de várias pessoas e Você poderá participar e contribuir enviando e-mail para: jaburu.ro@gmail.com 10 – Envie sua observação, crítica, matéria, sugestão, pauta, direito de resposta, etc, em até quatro linhas.