A confirmação de Hildon, a peleja ao Senado e o bolsonarismo que pretende fazer barba, cabelo e bigode

21 de março de 2026 26

Remediar é caro

A piora das condições climáticas mundiais ainda não foi suficiente para obrigar os governos a tomar medidas imediatas para atacar as causas do fenômeno. Dentre os problemas que retardam medidas mais fortes, dois são os principais. Primeiro, o negacionismo rejeita a relação de causa e efeito – considera os problemas atuais um período passageiro, como o prometido céu depois do inferno. Segundo, quem está ganhando muito dinheiro não tem vontade de mudar de métodos ou de ramo.

Recente estudo publicado pela Universidade de Exeter (Inglaterra) apontou que os modelos econômicos usados por governos, instituições financeiras e investidores subestimam os riscos da mudança climática. Não levam em conta o ritmo acelerado dos eventos climáticos extremos. Pior: o embate entre negacionistas e catastrofistas cria mais incerteza e polarização, dificultando o que seria mais óbvio, ou seja, compensar à altura quem vai perder com as alterações necessárias.

Políticos nem sempre conseguem ver o óbvio. Basta citar o caso dos governantes que alardeiam equilíbrio nas contas sem perceber que ao economizar com o atraso de obras rodoviárias, por exemplo, vão gastar mais com as consequências dessa atitude: perdas de vidas, incapacitações e gastos individuais, empresariais e governamentais desde o acidente em rodovia precária até o fim da espiral das consequências dos danos. Não vem um céu depois.

A confirmação

Com a confirmação do ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União Brasil) em disputar o governo de Rondônia, o cenário político volta a virar de cabeça para baixo. A capital estava sem candidato competitivo e com Hildão terá um nome de ponteira. E entra na parada já com um pé no segundo turno, nas minhas contas, a partir de uma previsível grande vitória na capital onde está concentrado um terço do eleitorado rondoniense. A peleja pela ponteira será com o senador Marcos Rogério (PL), com o prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), a não ser que apareça alguma surpresa de última hora.

Peleja ao Senado

Com o senador Marcos Rogerio disputando o governo estadual e o senador Confúcio Moura (MDB) desistindo da reeleição, as duas cadeiras ao Senado serão renovadas nas eleições de outubro. Algumas candidaturas já postas, como do Ex-senador Acir Gurgacz (PDT), Fernando Máximo (PL), Bruno Scheidt (PL), Silvia Cristina (PP). É bem provável que o ex-senador e ex-ministro Amir Lando assuma a candidatura ao Senado pelo MDB, já que tem recebido apoio das bases emedebistas e se mostra entusiasmado em trocar a disputa de uma cadeira a Câmara dos Deputados por uma vaga ao Senado.

Barba e bigode

Pelas movimentações partidárias vigentes é possível apontar o favoritismo do senador Marcos Rogerio (PL) para o governo de Rondônia. O bolsonarismo já anunciou que pretende fazer barba, cabelo e bigode no pleito de outubro. Rogério tem chapas prontas e competitivas a Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e ao Senado, só faltando a indicação do seu candidato a vice para a homologação nas convenções de junho. Mas não querendo voduzar, mas já voduzando, a tradição dos grandes favoritos em Rondônia é de levar pau no segundo turno. Temos um histórico a respeito. O maior problema de Rogerio é num eventual segundo turno.

Disputa polarizada

Posso antecipar que a peleja rondoniense começa polarizada entre os blocos dos candidatos Rogério e Hildon Chaves Ao ingressar no União Brasil e ganhar apoio do PP que integra a União Progressista Hildon Chaves desponta com chapa pronta, já com seu vice definido, o deputado estadual Cirone Deiró, a candidata ao Senado, que é Silvia Cristina e chapas completas e a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Os outros dois candidatos ao CPA, o prefeito de Cacoal Adailton Fúria e o postulante do PT Expedito Neto vão ter que ralar para quebrar está polarização. Existe ainda o aguardado candidato do Podemos, que pode ser tanto o prefeito de Vilhena Flori Cordeiro, como o deputado delegado Camargo.

Dias de sofrimento

Depois de três semanas afastado desta coluna em virtude de um acidente que resultou numa operação na clavícula, voltamos ao batente. Foram alguns dias de dores e sofrimento. Meus agradecimentos à equipe médica do Prontocordis, que tem no seu comando o Dr. José Augusto. Chegamos aos 70 anos de idade, sendo 46 deles em Porto Velho e já refeito para as próximas jornadas com o início das definições no cenário político rondoniense, a partir desta janela partidária aberta até meados de abril com muitas trocas de parlamentares buscando acomodações para a reeleição.

Via Direta

*** Enquanto em Porto Velho o mercado imobiliário afundou, em Guajará Mirim com o início das obras da ponte internacional a valorização dos imóveis disparou. A fronteira está efervescente *** No mês que vem Porto Velho, Cacoal e Ji-Paraná recebem novos voos. Mas com preços de tarifas de lascar *** O PL bolsonarista é o partido que mais cresceu em Rondônia nesta janela partidária. O inchaço da legenda é enorme tanto com novos deputados estaduais como de deputados federais *** Não se fala mais na construção da usina hidrelétrica de Tabajara, prometida pelo governo federal, para ser erguida em Machadinho do Oeste. O cronograma já está bem atrasado.   

Fonte: CARLOS SPERANÇA
POLITICA & POLÍTICOS (CARLOS SPERANÇA)

Colunista político do Jornal "DIÁRIO DA AMAZÔNIA", Ex-presidente do SINJOR, Carlos Sperança Neto é colaborador do Quenoticias.com.br. E-mail: csperanca@enter-net.com.br