A CLASSE MEDIA E AS PROPINAS
Muitas vezes me interrogo: qual é o critério, para afirmar que se pertence à classe média?; ou melhor: a quantia mínima e máxima, que a família necessita, para ser etiquetado da classe média?
Interroguei vários amigos e conhecidos, até políticos, e não sabiam ou não me quiseram dizer. Porventura, o leitor – melhor informado, – pode esclarecer-me?
Lembrei-me disso, ao ouvir, recentemente, que a classe média não consegue manter os filhos na Universidade, por causa do preço das propinas.
Lembrei-me, porque tive filha, que frequentou a Faculdade, e, apesar de ser excelente aluna, nunca teve bolsa nem subsídios, porque diziam pertencer à classe média…
Será que, a atual classe média, ganha tão mal, que não consegue pagar propinas?!
Sempre fui a favor do ensino gratuito, mesmo em época em que se afirmava, que se devia pagar.
Em 1995, a ilustre escritora Fina d’Armada, em excelente artigo, in: “O Comércio do Porto”, escrevia: “Se os alunos não pagarem, serão os contribuintes a pagar.
E mais adiante:
“ Acontece que esses futuros “doutores”, nem sempre são troca do nosso investimento. Quanto aos que vão ter um emprego público, pago pelo Estado, e que vão prestar serviços à comunidade, tudo bem. É o caso dos professores, dos técnicos das repartições públicas, dos juízes, jornalistas, dos médicos dos hospitais, etc.…Enfim gente que não fica cara, que ganha pouco. Mas outros irão trabalhar privadamente e levar-nos imenso dinheiro por nos prestarem serviços. Nós pagamos para os formar e voltamos a pagar para os enriquecer. Permanecem num pedestal, tratando os “ Zés” e as “Marias”, sem qualquer gratidão “.
Segundo Fina d’Armada, quem iria pagar os cursos universitários, era:” Quem vive em aldeias e serras, quem por dentro nem por fora, que mal sabe ler, eis quem vai pagar o que julga não lhe dizer respeito” (CP-1-12-95)
Passaram pouco mais de vinte anos, por certo, se o artigo fosse escrito hoje, seria diferente; mas, as reflexões, fazem pensar.
Fazem pensar, porque muitos alunos que não podem pagar propinas, aparecem, nas Faculdades, em luxuosas viaturas, frequentam caros restaurantes, e realizam longas viagens pelo estrangeiro… muitos deles, ainda recebem subsídios, porque afirmam terem rendimentos baixos…
Já que abordo bolsas e subsídios, quero referir-me, a respeitável associação, que apoia alunas (meninas,) a frequentarem a Universidade. Onde está a igualdade de género? …
Em suma: Melhor seria remunerar trabalhadores e pensionistas, com justiça, que lhes permitisse pagar os estudos dos filhos e netos; mas, como isso parece impossível, auxilie-se os estudantes, que pertencem, verdadeiramente, a famílias carenciadas.
Ajude-se quem realmente precisa, e não a quem vive de expedientes…
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